segunda-feira, 27 de junho de 2016

SOBRE ''LER SOMENTE O QUE EDIFICA"


Certa vez no ponto de ônibus, enquanto estava lendo o livro sobre o Reich Alemão e a vida de Hitler, conheci um missionário angolano que, vendo o livro que eu lia, sugeriu pra eu ler "coisas que somente edificam". Já ouvi isso outras vezes - normalmente de pessoas que liam unicamente a bíblia (e olhe lá).

Pra alguns parece haver um medo supersticioso em ter contato com outros tipos de literatura que não seja a Bíblia, livros devocionais e teológicos. Pra mim, tenho por certo que a tradução correta da orientação em questão seria "ler somente a bíblia e nada mais".

Por que esse temor de ler outros gêneros de conhecimentos? Influência negativa? Acreditar em heresias? "distanciar" da Palavra de Deus?

Muitas dessas alegações não se sustentam de forma alguma, pois já vi casos de pessoas (um deles próximo a mim) se suicidar após ler a bíblia.
Acreditar em heresias também é uma asneira, pois inúmeras seitas e heresias modernas surgem da exclusiva leitura bíblica.
Os que mais vemos no seio cristão são os leitores da bíblia distanciados biblicamente dela!

Nem mesmo poderia se dizer que a leitura da bíblia pode formar um homem bom e equilibrado. Conheci um homem viciado em masturbação, e sua excitação era acentuada quando lia as passagens de Cantares de Salomão!

Somente uma pessoa extremamente suscetível a mudanças de ideia poderia se tornar aquilo que lê. Ler a Origem das Espécies não faz de ninguém um ateu assim como ler a bíblia satânica não te fará um satanista.

É claro que na biblioterapia, tudo o que é leitura tem influência, ainda que imperceptível, tanto positiva como negativamente segundo as perspectivas de cada um em seu universo conceitual. Mas, cada um deveria ter o mínimo de consciência sobre o que é confortante pra si e se seus valores, crenças e fé ou se essas são firmes o suficiente para que nada o abale.

Como o apóstolo Paulo debateria com os filósofos de Atenas sem terem ao menos conhecido sua cultura e suas ideias? O próprio Paulo usou a citação de um poeta pagão em meio a sua pregação (Atos 17:28). O que seria os "livros" além dos pergaminhos a que Paulo se referiu em 2ªTimóteo 4:13? 

Eu já li o Manifesto Comunista e continuo capitalista, leio o Alcorão e não me tornei muçulmano, leio filosofias e não fico indagando a existência de Deus. O contato com as letras pode mudar essencialmente uma pessoa dependendo de seu nível de consciência, visão crítica, raciocínio, lealdade doutrinária etc.

Muitos relapsos acontecem porque na verdade não houve conversão do indivíduo, mas sim uma doutrinação religiosa, uma releitura no seu "sistema de crenças".

Claro que é desnecessário eu ler 50 tons de cinza (A não ser se eu fosse um pesquisador na psiquiatria, por exemplo), mas também a leitura da bíblia será inócua se não vier acompanhada da consciência no evangelho e da mente de Cristo (além de que, não é pelo ouvir que vem a fé?); todavia, sei que ao menos lendo poderia vir tudo isso no pacote.

Agora, não devo deixar de mencionar que há muitos entre nós que aconselham a ler somente o que edifica aparentando boas intenções, mas com uma agenda oculta de pôr cabresto.

EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS

sexta-feira, 3 de junho de 2016

EM BAGDÁ, LÍDER XIITA ADMIRA E AGRADECE CRISTÃOS POR SEREM 'ELEMENTOS DE PAZ' NO IRAQUE


Mesmo com a diminuição agravante de cristãos no Iraque pela perseguição do Estado Islâmico a Igreja Ortodoxa Caldeia mantém grande influência nos grandes centros pelo assistência e ajuda humanitário em tempos de crise sem distinção e etnia ou religião.

A Igreja Caldeia promoveu um evento para o fortalecimento da coexistência de grupos diversos no Iraque e o repúdio de toda a ação terrorista. Esse evento contou com vários representantes da sociedade, diplomatas, religiosos e parlamentares iraquianos.

O destaque foi a presença do líder muçulmano xiita Ali Al-Yacoub e do Sheik Yousif Al-Nasery, ambos convidados pelo Patriarca Caldeu Louis Sako Raphael.

O líder islâmico agradeceu a enorme participação dos cristãos como ''elementos de paz e tolerância para a coexistência harmoniosa entre as religiões islâmica, cristã e yazidis''. Também admira o fato de mesmo após tanto sofrimento e perseguição os cristãos nunca revidaram com violência e generalizações; antes, continuaram a promover a unidade no país.

O Patriarca Caldeu exortou os presentes unirem esforços para difundir a cultura da tolerância, reforçar os valores de pertencer à nação iraquiana e rechaçar toda espécie de extremismo.

Interesse é o movimento de vários grupos diferentes que, em tempos passados serem inimigos comum, se aliarem, se ajudarem e se protegerem quando surge inimigos maiores. Não dá pra negar pela história algumas perseguições aos cristãos causados pelos muçulmanos xiitas (No Irã ainda acontece nos dias de hoje), entretando, em tempos de Estado Islâmicos (sunitas) os problemas de mera divergência se tornam irrisórios e as brigas históricas caem por terra.


O Estado Islâmico perdeu muita força em muitos pontos estratégicos da jihad no Oriente Médio, mas ainda eles focam na oposição contra governo do Iraque. É notório esse envolvimento e o apoio de algumas comunidades muçulmanas em apoio aos cristãos - isso é digno de nota e louvor! 

Fonte: AINA

EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS