sábado, 1 de outubro de 2016

O PATRIMÔNIO IMATERIAL E A OBRA DE UM DEUS CONGRESSISTA


O debate eleitoral à Prefeitura de Salvador nesta quinta teve o momento cômico do candidato Pastor Isidório (PDT) lendo a bíblia pra iniciar o debate e logo foi repreendido pelo mediador Alexandre Garcia por ter quebrado uma das regras é o de "apresentar documentos" durante em frente às câmeras.

O candidato, que é também Deputado Estadual, alegou que "não é documento, e sim patrimônio imaterial do Estado da Bahia aprovado por 63 deputados" ainda relutou o fato de ter sido interrompido querendo o tempo de volta... enfim, cansa detalhar situações como essa.

Isidório é pastor, militar e político; provavelmente ele está à serviço de Deus em todas essas funções, claro, mas cai no pensamento ignorante de muitos evangélicos os quais acham que para fazer alguma coisa em nome de Deus precisa estar citando o seu nome histrionicamente ou lendo versículos bíblicos. Pior ainda quebrar regras internas de um debate se levantando contra o próprio mediador que o admoestava.

O maior argumento dele, que o fazia pensar que tinha esse direito, era o fato da bíblia ser oficialmente considerado Patrimônio Imaterial do Estado da Bahia. Não é razoável essa atitude do pastor porque a Bahia têm vários patrimônios imateriais que, pela lógica fanática dele, poderia então ser usado em debates eleitorais, o que se tornaria um verdadeiro "banzé".

Antes a luta era contra as "hostes espirituais da maldade", agora a treta desceu entre os homens. Para Deus ser reconhecido e sua Palavra aceita é necessário ganhar no voto, proteção do Ministério da Cultura e maioria de cadeiras no Congresso. 

Muitos cristãos concebem sua fé em Deus na mesma medida em que os homens vão agindo achando ser em nome dele. Se aprovam uma lei que favorece os cristãos então "Deus ganhou uma batalha", como se o agir de Deus fosse traduzido em alguma PEC.

Por enquanto o Altíssimo é recebido nos corações de muitos evangélicos assim como Allah é recebido pelos muçulmanos: Um Deus cheio de pretensões políticas, com uma mentalidade de "nós contra eles" e com uma imensa necessidade de ter seus servos como instrumentos de dominação.

É por causa desse Deus congressista que observo algumas pessoas passando vergonha por agir fora da realidade, semelhante aos ultranerds que pensam estar viver numa "guerra nas estrelas" e agem como tal.

É esse tipo de Deus que é pregado nas igrejas de Salvador? É esse tipo de povo que ele precisa, que age com sutileza de uma lei para infrigir regras de um mero debate?
E quanto a bíblia? É preciso essa politização das Escrituras Sagradas para que seja reconhecido como Palavra de Deus?

Assista o video:


OBSERVATÓRIO DA FÉ

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