sábado, 30 de abril de 2016

JESUS NA CAXEMIRA?


Basta navegar em livrarias virtuais ou passear em sebos que encontramos uma enorme variedade de livros com conhecimentos alternativos acerca de Jesus Cristo, principalmente no que diz respeito aos anos desua vida em que não há registros; o que dá margem a todo tipo de especulação.

Encontramos livros que afirmam Cristo se envolvendo com misticismo egípcio, babilônio, persa, hindu, budista. Existe a delirante estória de sua estadia no Japão, Inglaterra (antes de ser Inglaterra) e até em contatos de primeiro grau com extraterrestres!
Vemos Jesus de todas as formas, para todos os gostos, conforme a justificativa histórica de cada religião. Não é a maior seita dos EUA, os mórmons, o qual afirma que Cristo após sua ressurreição subiu aos céus, mas não assentou à destra de Deus e sim, descendo na América? 

Vejam outros tipos de Jesus, ou como ele é visto em outras religiões:

Apolônio da Capadócia
Lendas e livros antigos contam que Apolônio foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu de uma virgem e partiu jovem para conhecer o mundo. Controlava as leis da natureza, curava doentes e conseguia até evitar guerras. Apesar das coincidências, seu nome era Apolônio, da Capadócia (atual Turquia). Morreu em Éfeso, aos 100 anos. Só faltou ser na cruz.

Origem: Capadócia (atual Turquia).
Fonte: A Vida de Apolônio, livro do século 3.
Os pagãos do Império Romano criam desta maneira .

Um botisatva budista
Uma lenda indiana diz que, para salvar Jesus da perseguição do rei Herodes, seus pais foram para o Egito. No caminho, ele teria convivido com budistas em Alexandria. O contato de Jesus com o budismo também está em “A Vida de São Issa” escrito no século II; o texto fala de um profeta de Jerusalém que estudou num mosteiro do Nepal. Até hoje, budistas consideram Jesus um botisatva, “homem iluminado”, em sânscrito.

Origem: Egito, Índia e Tibete.
Fonte: A Vida de São Issa.
É crido por alguns budistas.

Issa, o profeta
O Alcorão conta que o filho de Maria nasceu num dia de sol, na sombra de uma tamareira. Nesse livro, Jesus é conhecido como Issa, profeta da linhagem iniciada por Abraão e concluída por Maomé. Nessa versão, o suposto Jesus também não morre na cruz. “Não sendo, na realidade, certo que o mataram nem o crucificaram, mas o confundiram com outro”, diz o versículo 157, da 4ª surata.

Origem: Oriente Médio.
Fonte: Alcorão.
O Cristo na perspectiva de alguns muçulmanos.

Fato é que quase nenhuma religião ou tradição espiritual não quer deixar Jesus fora de seu repertório, aguentam ficar sem Muhammad, Buda, Khrisna, mas sem Jesus não dá! É como se uma marca não tivesse tal garoto propaganda ficaria impossível de vender o produto. 
Essa fascinação aumentou nos dois séculos anteriores devido ao colonialismo dos últimos impérios que favoreceram a aproximação com as culturas e religiões orientais. 

Até que um escritor russo de nome Nicholas Notovitch supostamente encontrou um manuscrito num mosteiro budista tibetano da Caxemira que narrava a vida de Issa, um “santo que, ao chegar os 14 anos de vida deixou a casa dos pais, em Jerusalém, e partiu com mercadores (segundo ele, no século I)”; ele acredita que esse homem se tratava de Jesus.

                                                            (Nicholas Notovitch 1858-1916)

Yus Asaf, o curandeiro
No século 1, o andarilho Yus Asaf (“líder dos curados”, em persa), percorreu o Oriente Médio, realizando milagres e curas semelhantes aos de Jesus. Segundo essa versão, ele não teria morrido na cruz: aos 33 anos, teria seguido para o norte da Índia, onde viveria até os 120 anos. Seu suposto túmulo, em Srinagar na Caxemira, atrai peregrinos até hoje.
                                    (Santuário Rozabal ''Túmulo do Profeta'' onde, pra eles, está o cadáver de Jesus)

Fontes: Tahrik-i-Kashmir (“História da Caxemira”) e a escritura hindu Bhavishya Mahapurana.
Os adeptos desta doutrina são seguidores da seita ahmad, uma corrente do islã, e alguns hindus.

                                        (Miraz Ghulam Ahmad, fundador da seita islâmica Ahmadi)

Enfim, todos querem ter parceria com Jesus. Não é à toa! Jesus é o nome que mais tem garantia de venda no mundo em todas as épocas; é uma pressão enorme para o seguimento religioso que não tiver ao mínimo de simpatia por Jesus.

Só esquecem que o próprio Jesus disse que “veio somente para as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24), em vários momentos prediz sua morte (Mc 8:31, Mt  16:21-28) e em Mateus 20: 17 e 26 diz até a forma: crucificação. Se não acreditam nos escritos feitos pelas testemunhas oculares de Cristo, por que acreditar em manuscritos fora de todo o contexto das relações históricas a cerca de Jesus!

Entendo que nem tudo o Jesus fez ou falou foi escrito, se caso fosse daria inúmeras bíblias (Jo 21:25), mas mesmo assim não dá pra forçar com estórias nebulosas que contrariam os relatos dos seguidores que viviam com ele. Será que os primeiros cristãos (que, pra se dizer, viram Jesus subindo ao céu) escolheriam sofrer o martírio das mais variadas formas se soubessem que ele estava tranquilamente num mosteiro remoto da Caxemira? Porque Jesus não trouxe ou expressou em suas pregações as doutrinas orientais como reencarnação, animismo, concentração, meditação, politeísmo e etc.?

O interessante é que os fãs de mistérios creem piamente em qualquer historieta nos “apócrifos modernos” e nos filmes O Código Da Vinci (2006) e a Última Tentação de Cristo (1988) simplesmente porque mexem com a fascinação do desconhecido. É o culto ao não-saber-sabendo que no fim, alimenta o sentimento de ser diferente ou ser superior de quem vive com espírito polemista e obstinado.

Normalmente os grupos esotéricos, teósofos, new agers em sites e livros trabalham com muita informação alternativa, fontes duvidosas e com muita fraude literária os quais instigam novidades especulativas como provas fidedignas. (Sendo Jesus um judeu de sua época, seria o mais estranho da história do judaísmo)

Existem cerca 24.000 cópias antigas do Novo Testamento e nenhum deles faz menção de Jesus andando com budistas e hindus – nem mesmo com os essênios!

O culto à curiosidade mórbida não é refletido, é deveras crédulo a tal ponto que qualquer novidade vira matéria no Fantástico, em revista, se torna livro para alcançar o nicho necessário: pessoas não convictas, incautas, pseudopensadores, burramente soberbas, religiosos histéricos e filhos do google que se tornam ateus após uma hora de documentário. Para esses cabem tal preocupação!

EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS


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