terça-feira, 1 de março de 2016

OS CRISTÃOS QUE OPTARAM POR FICAR EM RAQQA, CAPITAL DO ESTADO ISLÂMICO


Depois de inúmeras atrocidades cometidas pelo DAESH seria impossível acreditar que cristãos optariam por continuar a viver em Raqqa, centro do Califado da facção sunita. Mas é verdade! Cerca de 50 cristãos quiseram ficar na cidade, com fé declarada e permitida pelo regime islâmico. 

John (nome fictício), 20 anos decidiu ficar na cidade para completar seus estudos. Só saiu de Raqqa porque não dava pra concluir por lá. Futuramente ele tentará entrar no exército Sírio; corajoso o rapaz!

Mais coragem ainda foi permanecer com uma vida cotidiana no coração do jihad essencialmente anticristã e antiocidental. Toda sexta-feira havia execuções em praça pública os quais ele assistia; já viu cristãos e soldados sendo decapitados e muito controle social. 

Segundo ele houve mudanças no local, sim, mas tudo funcionava normalmente (nas regras deles, claro!) Para os cristãos terem alguma liberdade para viver lá era necessário pagar a Jizya, o imposto cobrado aos infiéis para viver em um estado islâmico. O documento com o selo do califado dava segurança para o tal não ser atormentado e viver "tranquilamente" sem prejuízos devido a sua fé.

                            Documento original do pacto de segurança sob a condição do pagamento da Jizya.

John teve muitos amigos (alguns ex-cristãos) atraídos para ser jihadistas, todos os estrangeiros eram colocados na linha de frente, muitos eram líderes. Na opinião dele o fator preponderante para arrebanhar os jovens é o alto salário inicial e todas as despesas pagas pelo DAESH. 

Muitos jihadistas tinham vida social em Raqqa e até conversavam com John e o aconselhava a se tornar muçulmano, porém notava que eles se transformavam em outras pessoas ao executar pessoas ou nos momentos de combate.

A liberdade que esse cristão tinha era somente para continuar vivo, pois era aconselhável sempre ficar olhando para o chão, falar e se expressar de modo correto com os DAESH para não ser acusado de nada, vestir-se de modo árabe. É um clima extremamente policialesco!

Raqqa também se tornou uma cidade com "taras reprimidas", pois John conta uma situação estranha em que um lojista deixou um balão vermelho em forma de coração até chegou os militantes armados mandando ele tirar o balão. O comerciante indagou explicando que era apenas balões, mas os jihadistas ordenou que tirasse, pois as formas do coração lembrava seios! 

Vê-se a patologia de tal sociedade.


Fonte: WWM

EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS

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