terça-feira, 29 de março de 2016

"CRISLAMINDUÍSMO" E O VERDADEIRO SHOW DA FÉ


Se considerarmos a religião como... "fenômeno religioso" e não como religação com Deus todas são similares nas suas estruturas, até o mesmo esse cristianismo histórico, documentado, crido e aceito como poder terreno em várias áreas do mundo.

Esse título não se trata das aventuras de PI, daquele filme em que o jovem manifesta devoção nas três religiões cristianismo, islamismo e hinduísmo, mas sim, da semelhanças delas e outras religiões na necessidade de fazerem show no uso da fé e das excentricidades como forma de atração.

Há tempos venho estudando, lendo livros e revistas e assistindo tudo o que diz respeito a todas as religiões, tradições espirituais e manifestações de crenças. Quase todas elas têm suas concepções de mundo, existência, moralidade, rituais, símbolos, revelações etc. que podem se assemelhar e divergir em alguns aspectos; mas em todas encontra-se algo que os unem: sua vertente psicodélica.

Encontra-se em todos, sem exceção, manifestações de catarse e exaltações malucas como parte do culto e ao mesmo tempo como fonte de atração e sustentação emocional pelo conforto na possível atuação da divindade.

Seja na Índia onde os sadhus carregam rochas com o pênis, sejam muçulmanos que se cortam com facões até aparecer as costelas ou mesmo cristãos da Opus Dei que se flagelavam, percebe-se há uma força delirante que move pessoas com fé (?) acentuada que ultrapassam os limites da lucidez e da sensibilidade humana independente da religião.

( A maior atração da festa religiosa Kumba Mela, o sadhu Amar Barathi está com a mão erguida ao céu há 43 anos em devoção a Shiva - uma dos milhões de deuses hindus.)

        (Alguns muçulmanos da vertente xiita se mutilam para purificar a alma no festival Ashura.)

(Católicos em Filipinas se mutilam num dia santo. Há lugares no Nordeste do Brasil onde há rituais de autoflagelamento; também em alguns lugares da América Latina crucificam de verdade atores fazendo o papel de Jesus Cristo.)

Eu sei que as expressões são feitas na sinceridade dessa gente, porém é fato inegável que atrai pessoas e vira um espetáculo. Será que todos ficassem satisfeitos em fazerem essas bizarrices na particularidade de suas casas sem ninguém vendo?  Sempre tem que ser em público?

É a mesma coisa com alguns charlatões por aqui cujo os dons são manifestos apenas em público, em cultos lotados e até nos programas midiáticos para promoverem o "deus deste ministério". Se trata da exploração dos sentidos, da credulidade e boa fé de pessoas não instruídas. Nesse aspecto não há diferenças entre as bizarrices do mundo afora e essa fé caleidoscópica que permeia e pauta a espiritualidade no Brasil.

Talvez a paz de espírito produzido pela verdadeira fé não é mais suficiente para preencher o vazio que só cabe a Deus. O discernimento é castrado pelo incrível, pelo mirabolante pelo espetáculo circense nessa Kumba Mela gospel que extrapola o bom senso.

Se chamam deus tudo aquilo que atiça a curiosidade, que traz admiração e fascinação ou produz espasmos então sim; "todos os caminhos levam a deus".

EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS

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