domingo, 11 de outubro de 2015

A GRAÇA MAIS CARA QUE JÁ PAGUEI


Já passei pelo mundo das histerias e das mentes nervosas em nome do amor ao próximo
Pratiquei os rituais na religião das aparências e das barganhas
Por tempos, vendi minha consciência pra obedecer doutrinas meramente humanas
Já me fixei tanto no céu que me esqueci ser, por enquanto, cidadão da terra

Me fixei tanto nos anjos que me alienei em minha humanidade
Refleti tanto sobre o inferno que fiz da minha vida uma
Já brinquei muito na chatolândia de uma fé literalista e arrogante
Já dilui minha personalidade em nome de um deus carrancudo e implacável, moldado à imagem e semelhança dos homens - ou de mim mesmo

Já compactuei com os amigos de Jó em cuja elucubrações sobre 'justiça' só me vinha condenações e cuja adorações significava "capacidade intelectual" para entender Deus
Em uma sociedade viciada em institucionalizar até os desejos íntimos a liberdade de expressão é crime hediondo
Em um mundo de polarizações e extremismos qualquer moderação é uma ameaça para ambos os lados

Muito se acham peças de quebra-cabeça na história de Deus, mas na verdade fazem do seu Deus de gato e sapato; como se Ele estivesse inserido no processo evolutivo dos fenômenos humanos.
Redimensionaram o Eterno ao seus gostos e necessidades colocando numa lâmpada mágica; com a diferença que ele concede mais de três desejos.

O valor que se entende é a dos bens materiais como benção, do amor como sensualidade, da alegria como euforia e da comunhão como catarse. Já não se acha simplicidade nas coisas mais simples da fé.
A cristalina graça foi turvada pelos interesses dos homens em não receber a Deus como Ele É: O EU SOU O QUE SOU! Ele apenas É! 

Para desturvar isso que se entende por graça, para corroborar isso que se chama de fé, e para se relacionar a esse que chamamos de Deus é preciso se desvencilhar das bandeiras a que o enquadramos. 
Ter relação não com o "deus-ideologia, deus-temperamento, deus sócio-econômico, deus-geográfico, deus estética, deus-Estado; mas, com Aquele que era, que é e que há vir. 

E pra ser aceito por esse chamado de 'Aquele' não precisa contemplá-lo como o Deus clássico, o Deus pra intelectuais, o Deus sofisticado, o Deus popular ou mesmo o Deus dos mestres e profetas. Não! basta confiar meramente em sua graça; apesar de às vezes insistir na pretensão e ilusória prepotência de querer pagar por aquilo impagável.


EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS

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