domingo, 30 de março de 2014

FORO DE SÃO PAULO E A LIBERDADE DE IMPRENSA



Periodismo Sin Fronteras

Pedro Corzo destaca os riscos a que estão submetidos os jornalistas independentes na América Latina por conta da dominação política das quadrilhas socialistas aliançadas no Foro de São Paulo

O jornalismo é uma profissão livre e universal, ao extremo de que uma pessoa que seja capaz de expressar uma ideia com relativa coerência, escrita ou oral, em alguma medida está se desempenhando como jornalista, porque como diz o escritor Gómez Barrueco, o jornalismo é uma das poucas profissões livres que existem no mundo, o que motiva que seja aborrecida por aqueles que não querem que se digam as verdades sobre suas atuações.
Na Colômbia funciona uma organização que se chama Periodismo sin Fronteras dirigida por Ricardo Puentes Melo, um qualificativo que deveria reger o exercício do jornalismo, porque entre os comunicadores não deveriam existir fronteiras ideológicas ou físicas no que diz respeito à defesa da integridade do mensageiro e da mensagem.
Entre os jornalistas deveria haver uma maior solidariedade porque não há comunicador que esteja protegido contra a alienação mental dos poderosos, governos, políticos, empresários ou o crime organizado, quando a informação afeta seus interesses.
É preciso reconhecer que a censura ou outro tipo de perigo que a liberdade de expressão e informação enfrenta, não é uma prática exclusiva das ditaduras, porque até nas democracias há informadores e meios de comunicação que ganham a animosidade e às vezes algo mais, da parte dos que mandam.
Votando a Periodismo sin Fronteras, o jornalista e historiador Eduardo Mackenzie acusa as autoridades da Colômbia, sem dúvida um governo democrático, de tentar sistematicamente atemorizar o jornalista Ricardo Puentes Melo porque, segundo Mackenzie, desde que o presidente Santos assumiu a presidência, “mostrou seu mal humor, e inclusive uma certa brutalidade verbal contra a imprensa e os jornalistas que se atreviam a questionar suas atuações”.
Outras democracias do continente, só umas mostras dos muitos botões, não têm reparos em atacar os jornalistas que lhes incomodam.
Na Argentina se dá o caso de que há manifestantes que saem às ruas com os rostos dos jornalistas que criticam o governo e também são fortemente criticados nos meios de comunicação oficiais, no Equador, outra democracia eleitoral, a liberdade de questionar o governo de Rafael Correa está sempre ameaçada e tanto podem condenar à prisão o comunicador como ditar uma forte multa contra ele, no Brasil já vão quatro jornalistas assassinados este ano por cumprir com seu dever de informar e em Honduras, desde 2009, morreram violentamente 32 jornalistas.
Sob o regime de Hugo Chávez e Nicolás Maduro os espaços de livre informação estão quase extintos. Meios internacionais de imprensa e jornalistas estrangeiros foram expulsos, os comunicadores nacionais ameaçados, os meios de comunicação confiscados ou as licenças de transmissão canceladas.
Em Cuba não há liberdade de expressão e informação há mais de cinco décadas. Os meios de comunicação estão a serviço do Estado e o trabalho jornalístico limita-se exclusivamente a comunicar o que lhe indicam, ao extremo de que os meios de comunicação da ilha não reportam crimes e há muito pouco tempo começaram a fazer referências a acidentes de trânsito.
Por outro lado, é justo destacar que há jornalistas que são uma ameaça à liberdade de expressão daqueles que não pensam como eles, seus conhecimentos e talentos estão a serviço dos que lhes recompensam, e não duvidam em difundir informações falsas e atacar sem reparo aos que consideram inimigos do que defendem.
O governo de Havana marcou pauta em formar uma geração de políticos, agentes de inteligência ou de segurança, camuflados de jornalistas que só trabalham como desinformadores.
Um comunicador cubano pode ser diplomata em um país, em outro, espião e em um terceiro, um jornalista trabalhando para Prensa Latina, uma suposta agência de imprensa que na realidade é um aparato de subversão e desestabilização a serviço do castrismo. A ditadura cubana disfarça seus agentes de jornalistas porque essa condição lhes facilita o acesso aos meios de comunicação.
Recentemente o politólogo boliviano Carlos Sánchez Berzaín denunciou o diplomata cubano Rubén García Abelenda, que foi adido de imprensa em Madri e depois Ministro-Conselheiro da Embaixada de Cuba em seu país, de escrever, usando um pseudônimo, artigos jornalísticos a favor de Evo Morales e contra personalidades que estão comprometidas com a democracia.
Para Sánchez Berzaín, o diplomata García Abelenda poderia usar como pseudônimo o nome de algum jornalista vinculado ao regime de Havana, o que exemplificaria como o serviço diplomático cubano e os de desinformação estão estreitamente associados.
O governo de Cuba usou o jornalismo por décadas para desinformar e usou os jornalistas em numerosas ocasiões como espiões, por isso que embora alguns acreditem que o totalitarismo insular está esgotado, o melhor que podem fazer é se preparar para a sua próxima mordida.


EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS


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