quinta-feira, 3 de outubro de 2013

PREPARANDO-SE PARA A MORTE


Ao refletir sobre a vida não tem como deixar de pensar na própria morte; ao invés do que todo mundo imagina, não é um pensamento mórbido pensar no fim de sua própria existência; mas sim, uma alavanca para seu crescimento intelectual, espiritual e moral; a consciência da sua finitude o leva a subentender as coisas eternas.

No mês passado completou-se 12 anos dos ataques terroristas no World Trade Center promovidos por extremistas islâmicos morrendo (pôr números). Sendo esse um fato marcante na história mundial; quaisquer casos individuais que pertencem a essa história se tornam comovedoras pelas atitudes das pessoas conscientes de suas mortes iminentes: uma mulher dentro do avião seqüestrado, sabendo que iria morrer, ligou para seu marido apenas pra dizer “eu te amo”; também algumas pessoas ao perceberem que suas horas chegaram, prostraram-se de joelhos e oraram o “Pai nosso”, a mãe que viaja com seu filho e, ao ver a tragédia que estava pra acontecer deu seu último abraço apertado; abraço tão forte e caloroso esse que só foi largado após o choque e explosão do avião no edifício.

Mas uma coisa que martela na minha cabeça até hoje é o caso de alguns jovens executivos que trabalhavam nesse centro financeiro; e, depois que o prédio foi atacado seguido de explosões, eles não podiam mais descer porque não tinham acesso às escadas e elevadores, ligaram para os bombeiros desesperados dizendo de forma frenética e aterrorizante “Por favor, nos ajudem, não estamos preparados para morrer!” essa foi a frase que ficou armazenado durantes anos nos meus pensamentos e que me fazem refletir até hoje.

O que significa “estar preparado para morrer”? Existe uma preparação para uma coisa que não se deseja? Para uma coisa às vezes inesperada, e às vezes, até de forma trágica?

Será que estar preparado para morrer é saber se estava andando na “religião certa”?, se estava servindo corretamente a Deus?, se estava a vida toda na igreja à toa pra no fim ir ser condenado ao inferno?, se realmente era salvo?, se estava na sua vocação correta e não desperdiçou a vida?
As perguntas mais necessárias e os problemas mais importantes para o homem são aqueles que perduram até no leito de morte.

No leito de morte as picuinhas caem por terra, as imaturidades cessam, já não interessa mais quem tem razão e o que importa é a liberação do perdão pra partir em paz; também é o fim da timidez para ajuntar seus entes queridos e dizer publicamente coisas que nunca haviam dito como por exemplo: “amo todos vocês” e distribuir bênçãos no varejo e sem medida.

Também, é no leito em que o amargo fica o quádruplo do sabor do fel : Sabendo que tinha toda a capacidade pra fazer o melhor pra Deus e foi negligente, sabendo que tinha dons para exercitar e acabou enterrando todos os talentos, deixou o sol se pôr sobre a sua ira criando raízes de amarguras a ponto de defasar a comunhão com seu Deus...Também os abraços reprimidos, os jantares e viagens com seu (sua) amado(a) mal aproveitados, as perfeições da natureza mal contemplada; enfim, tudo o que era desejável, belo e deleitoso vira objeto de saudade antes de entrar no útero da terra.

Esse texto não terá um desfecho esperançoso, infelizmente. Não é um texto para levantar os ânimos, corroborar a fé e trazer a vontade de vencer, não! É um texto dirigido a uma casta cada vez maior de cristãos, que, às vezes suplantados pela incultura ou displicência não buscam saber verdades que lhe são de interesses próprios, verdades que podem pôr em jogos suas vidas na eternidade; lembre-se das palavras de Jesus: “Meu povo perece por que lhes falta conhecimento”. 

Hoje em dia, o dinamismo dos cuidados da vida, misturado às distrações que desvirtuam as percepções espirituais e o adiamento de se ocupar com coisas excelentes deixam as pessoas a tal ponto de inépcia que são capazes de passar uma vida inteira cheia de dúvidas cabeludas a respeito de suas crenças, convicções de fé e até mesmo se participarão do arrebatamento! Vivem na neutralidade, sem saber até mesmo de que são salvos! É inconcebível para alguém dessa maneira entrar em campo de batalha para enfrentar um exército de seres espirituais com milênios de anos de experiência. Com um corpo de crenças e fé frouxas não se consegue nem atravessar a rua para se chegar a Pedra da esquina!

Dicas: Dêem trabalho para os teólogos, fazem perguntas macabras para os pastores e não lhe dêem descanso, cercam-se de pessoas inteligentes e sensatas, imitem os mestres da fé, tirem todas as dúvidas que assombram como fantasmas nos seus pensamentos. Fazendo isso, o leito de morte será apenas uma catraca do trem para chegar ao destino final, com um “até logo” em vez de “adeus” e com o golpe de “Touchê!” no nosso último inimigo a ser vencido.



EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS

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