domingo, 12 de maio de 2013

VISITA HISTÓRICA DO PATRIARCA ORTODOXO RUSSO À CHINA

Pequim, Xangai e Kharbin – são estas as cidades que o Patriarca Kirill irá visitar. A atividade da Igreja Ortodoxa Russa começou no século XVII, quando o sacerdote russo Maksim Leontiev chegou a Pequim. Em 1713 foi instituída a Missão Espiritual Russa.

Graças à atividade intensa dos missionários russos, a ortodoxia lançou muito rapidamente raízes no meio chinês. No período desde o século XVIII até 1917, a Igreja Russa fundou na China centenas de centros ortodoxos, criou a chamada “Sinologia”, um conjunto de ciências que estudavam a história, economia, política, filosofia, língua, literatura e cultura da China antiga e da China moderna.

Graças a estes esforços, em meados do século passado na República Popular da China formou-se um numeroso “rebanho” ortodoxo com o seu clero nacional. Na década de 20 do século passado foi criada a Paróquia da Igreja Ortodoxa Russa em Pequim. Uns trinta anos mais tarde, a Igreja Ortodoxa da China, que já se tinha consolidado o suficiente, obteve do Patriarcado de Moscou a autocefalia, isto é, a independência.

Mas, pouco tempo depois, na vida eclesiástica da China começou uma época difícil. Em 1954 a Missão Ortodoxa Russa na China foi fechada. O último hierarca da Igreja Ortodoxa da China faleceu em 1962. A partir de então, na República Popular da China não existe um hierarca ortodoxo, diz o arcipreste Dionisy Pozdniayev, pároco do templo dos santos apóstolos Pedro e Paulo em Hong Kong.

"É a herança de um período histórico bastante difícil, da época da chamada “revolução cultural” e das relações difíceis entre a Rússia e a China na década de 70 do século passado. Em resultado disso, a Igreja Ortodoxa da China perdeu praticamente a sua estrutura institucional, os seus hierarcas e clérigos. Por isso, a situação dos fiéis e da fé ortodoxa na República Popular da China moderna exigem a normalização."

Aliás, a Igreja Russa jamais abandonou os seus irmãos chineses na fé. Em princípios dos anos 2000 em Hong Kong, - atualmente uma região administrativa especial da República Popular da China, - foi restabelecida a paróquia dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em 2007 junto da paróquia foi criado um centro de estudo da língua russa.

Dois anos mais tarde, no território da embaixada russa em Pequim foi sagrado um dos dois templos ortodoxos desta cidade – a Igreja da Dormição da Virgem Santíssima, construída no território da missão espiritual russa ainda em meados do século XIX, - revelou à Voz da Rússia o arcebispo Mark, de Egoriev, chefe da Direção de Instituições Estrangeiras do Patriarcado Russo.

"Era este o templo onde se celebravam permanentemente as missas para o pessoal da Missão Espiritual Russa. Infelizmente, na época de abalos sociais ele foi quase totalmente destruído."

Atualmente o número de templos e de comunidades ortodoxas na China começou a crescer gradualmente, - prossegue o padre Dionisy.

"Hoje em dia funcionam formalmente quatro templos ortodoxos da Igreja Ortodoxa Autônoma da China. Além disso, existem comunidades ortodoxas na embaixada da Federação Russa em Pequim e em Xangai. Tudo isso diz respeito à China continental. Uma paróquia, oficialmente reconhecida, existe também em Hong Kong."

Na reunião ordinária do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, realizada em fevereiro deste ano, foi resolvido que a China, da mesma maneira que o Japão, são parte do território canônico do Patriarcado de Moscou. O padre Dionisy está convencido de que a visita do chefe da Igreja Russa aos fiéis da China vai melhorar a política religiosa no país e consolidará a Ortodoxia nesta região do mundo.


EZEQUIEL DOMINGUES DOS SANTOS

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