sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Carta de um bebê





Oi mamãe,

Eu estou bem, graças a Deus faz apenas alguns dias que você me concebeu em sua barriguinha.

Na verdade, não posso explicar como estou feliz em saber que você será minha mamãe e que desde já estamos unidos e fazemos parte um do outro.

Tudo indica que eu serei a criança mais amada do mundo e consequentemente a mais feliz!

Mamãe, já passou um mês desde que fui concebido, e já começo a ver como o meu corpinho começa a se formar. Quer dizer, não estou tão lindo como você, mas me dê uma chance!

Estou muito feliz, mas tem algo que me deixa preocupado…

Ultimamente me dei conta de que há algo na sua cabeça que não me deixa dormir, mas, tudo bem. Isso vai passar, não se desespere, eu te amo e estarei com você até o fim.

Mamãe, já passaram dois meses e meio. Estou muito feliz com minhas novas mãos e tenho vontade de usá-las para brincar.

Mamãezinha me diga o que foi? Por que você chora tanto todas as noites?

Por que quando você e o papai se encontram, gritam tanto um com o outro?

Vocês não me querem mais? Vou fazer o possível para que me queiram,eu os amo tanto e acredito que o amor perdoa tudo e passa por todos os obstáculos.

Já passaram 3 meses, mamãe, te noto muito deprimida, não entendo o que está acontecendo, estou muito confuso e triste por você está assim...me sinto tão...hipotente diante desta situação. Mamãe, consegue me sentir mexendo dentro de você? É a minha forma de dizer: EU TE AMO e ESTOU COM VOCÊ!

Hoje de manhã, fomos ao médico e ele marcou uma visita amanhã. Não entendo. Eu me sinto muito bem. Por acaso você se sente mal mamãe?

Mamãe, já é dia. Onde vamos? O que está acontecendo, mamãe?

Por que choras? Não chore, não vai acontecer nada…

Mamãe, não se deite. Ainda são 2 horas da tarde, não tenho sono, quero continuar brincando com minhas mãozinhas.

Ei! O que esse tubinho está fazendo na minha casinha?É um brinquedo novo?

Olha! Ei, porque estão sugando minha casa?

Mamãe!

Espere, essa é a minha mãozinha!

Moço, por que a arrancou? Não vê que me machuca?

Mamãe, me defenda! Mamãe, me ajude!

Não vê que ainda sou muito pequeno para me defender sozinho?

Mãe, a minha perninha, estão arrancando.

Diga para eles pararem. Juro a você que vou me comportar bem e que não vou mais te chutar.

Como é possível que um ser humano possa fazer isso comigo? Ele vai ver só quando eu for grande e forte… Ai… Mamãe, já não consigo mais… Mamãe, me ajude…

Mamãe, já se passaram alguns anos desde aquele dia, e eu hoje, daqui de cima observo como ainda te machuca ter tomado aquela decisão.

Por favor, não chore. Lembre-se que te amo muito e que estarei aqui te esperando com muitos abraços e beijos.

Te amo ,

Seu eterno bebê


Fonte: baseado na "carta de um bebê" de André Luis e Hedelavia

sábado, 25 de agosto de 2012

Não tenho fé suficiente pra ser ateu (Parte 7)

  


 Na maioria das vezes os ateus são sábios ousados e desgarrados que raciocinam mal e que, não podendo compreender a criação, a origem do mal e outras dificuldades, recorrem à hipótese da eternidade das coisas e da necessidade.
   Os ambiciosos, os voluptuosos não têm sequer tempo para raciocinar e abraçar um mau sistema; têm mais que fazer do que comparar Lucrécio com Sócrates. É assim que vão andando as coisas entre nós.
   O mesmo não ocorria no senado de Roma, que era quase em sua totalidade composto de ateus, ateus na teoria e na prática, ou seja, que não acreditava nem na providência nem na vida futura; esse senado era uma assembleia de filósofos, de voluptuosos e de ambiciosos, todos muito perigosos e que acabaram perdendo a república. O epicurismo subsistiu sob todos os imperadores; os ateus do senado haviam sido facciosos na época de sila e de César e foram, sob Augusto e Tibério, ateus escravos.
  Não gostaria de depender de um princípe ateu, cujo interesse seria o de me mandar esmagar num lagar; e estou certo de que seria esmagado. Não gostaria, se eu fosse soberano, ter de tratar com cortesãos ateus, cujo interesse seria de me envenenar: eu me veria obrigado ao acaso tomar antídotos todos os dias. É absolutamente necessário, portanto, para os princípes e para os povos, que a ideia de um ser supremo, criador, condutor, renumerador e vingador esteja profundamente gravada nos espíritos.
    ...Que conclusão podemos tirar de tudo isso? Que o ateísmo é um monstro muito pernicioso naqueles que governam; que é porque de seus gabinetes podem perfurar até que detêm o comando, porque o ateísmo, se não é tão funesto como o fanatismo, é quase sempre fatal à virtude. Acrescentemos prinsipalmente que menos ateus hoje que nunca, desde que os filósofos reconheceram que não há um ser vegetando sem germe, nenhum germe sem finalidade, etc., e que o trigo não nasce da podridão.
    Geômetras que não eram filósofos rejeitaram as causas finais, mas os verdaeiros filósofos as admitem; e, como disse um autor conhecido, um catequista anuncia Deus às crianças e Newton o demonstra aos sábios.

                                                                             Voltaire - Dicionário filosófico

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Maioria dos estados religiosos são mais caridosos do que estados não religiosos, diz estudo

Notícias Gospel Maioria dos estados religiosos são mais caridosos do que estados não religiosos, diz estudo | Noticia Evangélica Gospel
Os estados mais religiosos nos Estados Unidos também são os mais generosos, enquanto aqueles que são mais seculares têm os menores registro de doações, de acordo com um novo estudo. O estudo feito pela revista Chronicle of Philanthropy explorou os hábitos de caridade de norte-americanos a partir de uma variedade de ângulos diferentes, usando em suas pesquisas, registros de doações em 2008 divulgados pela receita federal. Do ponto de vista religioso, os estados do Nordeste, considerados menos religiosos, estavam também entre os menos generosos em termos de caridade.
Os cinco estados com menores índices de caridade na América são: New Hampshire, Maine, Vermont, Massachusetts e Rhode Island. Entre os estados mais generosos estão: Mississippi, Alabama, Tennessee e Carolina do Sul, com Utah liderando o hanking em termos de caridade os habitantes doam 10,6% de sua renda discricionária.
Os números para Utah, podem não ser surpreendentes para alguns, por ser sede da Igreja Mormon, onde os membros são obrigados a pagar o dízimo de 10% para permanecerem em boa posição. Uma causa semelhante pode ter entrado em jogo para Idaho, que entrou no top 10 dos estados mais caridosos e também tem uma grande população Mormon.
Notavelmente, residentes no Upper East Side - bairro nobre do condado de Manhattan, em Nova York, doaram 478 milhões de dólares para caridade, em 2008, mais do que qualquer outro lugar dos Estados Unidos.
Entre os partidos políticos, os conservadores também se mostraram mais caridosos que os liberais. Como exemplo, oito dos 10 estados mais generosos na América votaram no representante da GOP, John McCain, nas eleições presidenciais de 2008 - enquanto nove dos 10 estados menos generosos votaram no atual presidente Barack Obama. "Todos sabem que os liberais são muito mais propensos que os conservadores a não serem religiosos", disse o presidente da Liga Católica, Bill Donohue em um comunicado sobre o estudo.
"É também do conhecimento de todos, que os liberais falam o tempo todo sobre a pobreza. No entanto, em suas vidas diárias fazem o mínimo para amenizar isso: eles se prontificam menos, dão menos sangue, são menos propensos a ajudar alguém à encontrar um emprego. A idéia de caridade deles é o governo aumentar os impostos ou seja, tomar dinheiro dos outros, e gastá-lo em programas de bem-estar", acrescentou.
Donohue também apontou as outras pesquisas feitas sobre o assunto, pelos sociólogos Mark D. Regnerus e Sikkink David, que também estudaram dados fornecidos pela associação Religious Identity and Influence Survey , e notaram que as pessoas religiosas têm mais probabilidade de dar dinheiro para os pobres do que as que não são religiosas.
No entanto, o editor assistente da revista Chronicle of Philanthropy, Pedro Panepento, argumentou que os resultados refletem mais os valores religiosos e ideais do que motivações políticas. Ele observou que os democratas também são menos religiosos que os republicanos.
"Eu não sei se poderia sair e dizer que é uma diferença republicano-democrata completa, tanto quanto são diferentes atitudes religiosas e da cultura nesses estados", disse Panepento.
Fonte: The Christian Post

domingo, 19 de agosto de 2012

Tu me amas?


 

                     Tu Me Amas?

                           Voz da Verdade

 
Tu me amas Pedro? Eu te amo Senhor
Tu me amas Pedro? Eu te amo Senhor
Tu me amas Pedro? Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu te amo.
Eu que pensava ser forte, que ia com Cristo até a morte
Eu que era um pescador, dono de mim eu era o meu senhor
Mas um dia mudou toda aquela minha rotina
De pescador de peixes eu fui chamado pra homens pescar
E foi o tempo passando e aquele dia triste chegou
Vi meu Mestre sofrendo, eu não fiz nada e o galo cantou
Tu me amas? Eu te amo Senhor
Tu me amas? Eu te amo Senhor
Tu me amas? Tu sabes tudo, Tu conheces o meu coração.
Tu me amas? Eu te amo Senhor
Tu me amas? Eu te amo Senhor
Tu me amas? Tu sabes tudo, Tu conheces o meu coração.
Eu te amo.
Há nos dias de hoje, pessoas que negam a realidade
Dizem que amam Jesus, mas seguem de longe negando a verdade
Se esta pergunta te fere, olhe pra dentro do seu coração
Olhe nos olhos de Cristo, recebe amigo o seu perdão
Esta pergunta será a mais fácil de responder
Diga... Jesus eu te amo, e ele virá te reconhecer
 
                                                              Ezequiel Domingues dos Santos

sábado, 18 de agosto de 2012

Os Inimigos da Oração

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2.1-4).

Existem seis armas terríveis que o Diabo usa para paralisar a vida de oração dos crentes:

1. Cansaço!

Como é paralisante o cansaço que o impede de perseverar na oração! Mas é justamente na oração que você supera esse estranho cansaço, pois a Bíblia diz: “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.29,31). Entregue-se à oração, e você encontrará o descanso verdadeiro.
 

2. Distração!

Você não consegue se concentrar? Outros pensamentos vêm à sua mente quando você quer orar? Durante a oração, de repente você percebe que seus pensamentos estão bem longe? Essas são armas do inimigo que você derrota orando em voz alta. Davi diz no Salmo 55.16-17: “Eu, porém, invocarei a Deus, e o Senhor me salvará. À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz”. Ore com voz forte e audível, e as distrações não terão poder sobre você!

3. Inquietação interior

Uma inquietação inexplicável tomou conta de você? Justamente dessa inquietação é que você pode se livrar quando ora. Seja qual for a causa – pecado, nervosismo ou incredulidade – a Bíblia diz: “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55.22). E mais: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42.11). Somente na oração você receberá ajuda para se libertar da inquietação de seu coração.

4. Pressa

A arma que Satanás provavelmente usa com mais sucesso contra os que querem orar é a pressa. O que diz a Escritura em Eclesiastes 8.3a? “Não te apresses em deixar a presença dele.” Não devemos ter pressa em deixar a presença do Senhor. Qual é a causa de sua pressa? A montanha de trabalho que espera por você! Seu trabalho parece não ter fim? Mas é justamente na oração que você recebe as condições para fazer seu trabalho bem feito e com rapidez. Quanto mais tempo você ora, mais trabalha. Sei muito bem que isso contraria nossa lógica, mas milhares de experiências confirmam essa receita, e a Bíblia diz em Isaías 55.2-3a: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares. Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá.” Através da oração constante, suas tarefas diárias serão supridas pelas fontes divinas de força. Admirado, você reconhecerá que o tempo que passou em oração fervorosa foi a melhor maneira de usar seu tempo, e a terrível arma da pressa terá perdido seu poder destrutivo sobre você.

5. Desânimo

O desânimo é uma arma que neutraliza muitas pessoas que oram. Desânimo é começar e parar. Desanimar é não olhar para longe o suficiente. A Bíblia diz: “Olhando firmemente para Jesus”. Esse olhar para cima, para Jesus, é desviar o olhar das coisas visíveis ao nosso redor e voltá-lo para Jesus – voltar-se para Ele orando! Você está desanimado por causa de sua fraqueza espiritual, desanimado por seus fracassos, desanimado pela dureza de coração das pessoas, desanimado pelas tristes circunstâncias em que vive? Paulo exclama em 2 Coríntios 4.8 que em tudo ficamos “perplexos, porém não desanimados”. Por quê? Porque ele era um homem de oração. Isaías conclama: “Fortalecei as mãos frouxas e firmai os joelhos vacilantes. Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus. A vingança vem, a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará” (Is 35.3-4). Existe apenas um meio de nos livrarmos do desânimo e do desalento em nosso coração: através da oração. Enquanto escrevo estas linhas, parece que poderes das trevas tentam me impedir de dizer as coisas como elas são. Sei que Satanás faz todo o possível para deixar você tão desanimado a ponto de não conseguir crer que a oração de fato lhe abre as fontes divinas. Mas em Nome de Jesus esses poderes estão derrotados! Suplico a você que está desanimado: Ore! Faça hoje um novo começo! Diga em voz alta: “Eu escolho a vontade de Deus e, em Nome de Jesus, rejeito a vontade de Satanás”. A vontade de Deus é que você ore. A vontade de Satanás é que você se cale.

6. Preguiça

A preguiça é uma arma traiçoeira que Satanás usa contra aqueles que desejam se tornar pessoas de oração. É a arma da carne, a sensação de impotência. Você se ajoelha, quer orar, mas não consegue dizer uma única palavra. Tudo parece muito difícil. A carne não consegue orar. Como você consegue se livrar dessa incapacidade e dessa preguiça? A resposta é: ore com a Bíblia! Leia em voz alta as promessas que falam da oração. Jesus disse: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis, batei, e abrir-se-vos-á” (Mt 7.7). Diga simplesmente a Deus: “Senhor, não consigo pedir, mas Tu dizes na Tua palavra que eu devo pedir, pedir com perseverança”. Exponha a Ele toda a sua miséria. Não fique calado! E enquanto você fala com Ele e lê Sua Palavra, de repente perceberá a faísca da oração acendendo seu coração, fazendo desaparecer sua preguiça e sua indolência, e suas orações alcançando o trono da graça.

|  Autor: Wim Malgo  |  Divulgação: EstudosGospel.Com.BR |

sábado, 11 de agosto de 2012

10 de Agosto - Dia Mundial da Solidariedade Cristã

 

                                        

  Como seres humanos frágeis, pequenos e com o mesmo destino; a saber: a morte, vemos que perdemos muito tempo da vida na religião do "eu" e nos esquecemos que todos viemos de um só homem que foi criado por um só Deus e todos de todas as épocas irão dar conta de cada ação terrena praticada, desde as mais abstratas como os sentimentos quanto aos mais históricos que deixam marcas na humanidade.
    Apesar de haver um pouco de conotação ecumênica nesta data em que diz que essa mostra que "todas as religiões estão unidas para um bem comum", é bom que mesmo assim seja lembrada, (visto que a religião cristã é feita de práticas e amor se não é praticada já não é amor); porém, mais bem aventurado será a pessoa que tem não só essa data para praticar o amor e a ajuda para com nossos semelhantes, e pra isso não é necessário religião ou doutrina filosófica!  mesmo sendo os nossos semelhantes diferentes de nós porque no verdadeiro amor não há acepção de pessoas assim como Deus não faz.

Em Cristo,

Ezequiel Domingues dos Santos

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O céu dos antigos

   
     Se um bicho-da-seda desse o nome de céu à tênue penugem que envolve internamente seu casulo, racionaria tão bem como os antigos que deram o nome de "céu" à atmosfera que é, como muito bem diz Fontenelle em seu livro Mundos, a penugem de nosso casulo.
       Os vapores que sobem de nossos mares e de nossa terra e que formam as nuvens, os meteoros e os trovoões, foram de início tomados como morada dos deuses. Em Homero, os deuses sempre descem em nuvens de ouro; por causa disso os pintores ainda hoje representam sentados numa nuvem. Mas como era que o senhor dos deuses estivesse mais à vontade que os outros, deram-lhe uma águia para transportá-lo, porque a águia voa mais alto que as outras aves.
     Os antigos gregos, vendo que os senhores das cidades moravam em cidadelas no alto de alguma montanha, julgaram que os deuses também deviam ter uma cidadela e a colocaram na Tessália, sobre o monte Olimpo, cujo vértice às vezes se esconde no meio das nuvens, de modo que seu palácio se achava no mesmo nível de seu céu.
     As estrelas e os planetas, que parecem engastadas na abóbada azul de nossa atmosfera, se tornaram logo as moradas dos deuses; sete dentre estes tiveram cada um seu planeta, os outros se alojaram onde melhor puderam. O conselho geral dos deuses se reunia uma grande sala à que se chegava pela Via Láctea, pois era realmente necessário que os deuses tivessem uma sala de reuniões no ar, visto que os homens tinham palácios de governo na terra.
     Quando os titãs, espécie de animais entre os deuses e os homens, declararam uma guerra bastante justa a esses deuses, para reclamar uma parte de sua herança paterna, uma vez que eram filhos do Céu e da Terra, não tiveram mais que empilhar duas ou três montanhas umas sobre outras para se tornarem senhores do céu e do castelo do Olimpo.
     Essa física de crianças e de velhas era prodigiosamente antiga; entretanto, é muito provável que os caldeus tivessem ideias tão sadias quanto nós daquilo que se chama o céu. Eles colocaram o sol no centro de nosso mundo planetário, numa distância de nosso globo aproximadamente como a conhecemos hoje; faziam girar em torno do sol a terra e todos os planetas; é o que nos informa Aristarco de Samos; é o verdadeiro sistema do universo, posteriormente para si, a fim de serem mais respeitados pelos reis e pelo povo ou, melhor, para não serem perseguidos.
     A linguagem do erro é tão familiar aos homens, que ainda chamamos nossos vapores eo espaço entre a terra e a lua com o nome de céu; dizemos subir ao céu, como dizemos que o sol gira, embora saibamos que não é assim; nós somos provavelmente o céu no planeta vizinho.
Se acaso se tivesse perguntando a Homero para que céu tinha ido a alma de Sarpedon, onde estava a de Hércules, Homero teria ficado embaraçado: teria respondido com versos harmoniosos.
     Como saber se a alma aérea de Hércules se encontraria mais à vontade em Vênus, em Saturno do que na terra? Ou estaria no sol? é de crer que não estivesse muito à vontade nessa fornalha.
Enfim, que entendiam os antigos por o céu? Não sabiam nada; sempre exclamavam: o céu e a terra; é como se disséssemos: o infinito e um átomo. Propriamente falando, não existe céu. O que há é uma quantidade prodigiosa de globos girando no espaço vazio e nosso globo gira como os outros.
      Os antigos acreditavam que ir aos céus era subir; mas não se sobe de um astro a outro; os corpos celestes estão ora abaixo de nosso horizonte, ora acima dele. Assim, supondo que Vênus,  tendo vindo a Pafos, regressasse a seu planeta quando este se tivesse posto, então a deusa Vênus não subiria em relação a nosso horizonte: pelo contrário, desceria e, nesse caso, se deveria dizer descer ao céu. Os antigos, porém, não entendiam tanta sutileza, tinham noções vagas, incertas, contraditórias sobre tudo o que se referia à física. Foram escritos volumes imensos para tentar saber o que pensavam sobre questões desse gênero. Três palavras seriam suficientes: eles não pensavam.
     Sempre se deve excetuar um reduzido número de sábios, mas vieram mais tarde; pouco explicaram seus pensamentos e, quando o fizeram, os charlatões os mandaram para o céu pelo caminho mais curto.
     Um escrito chamado, me parece, Pluche pretendeu fazer de Moisés um grande físico;outro, antes dele, havia conciliado Moisés com Descartes e havia publicado o livro Cartesius Mosaizans; segundo ele, Moisés foi o primeiro a descobrir as causas dos turbilhões e a matéria sutil. Mas é mais que sabido que Deus, que fez de Moisés um grande legislador, um grande profeta, não quis de modo algum fazer dele um professor de física; Moisés instruiu os judeus sobre seu dever e não lhes ensinou uma palavra sequer filosofia. Clamet, que compilou  muito e nunca se deu o trabalho de raciocinar, fala do sistema dos hebreus; mas esse povo rude estava bem longe de ter um sistema; nem sequer possuíam escola de geometria, até mesmo o nome desta disciplina lhes era desconhecido; sua única ciência era ofício de corretor e a usura. Encontram-se em seus livros algumas ideias obscuras, incoerentes, dignas em tudo de um povo bárbaro, sobre a estruturta do céu. Seu primeiro céu era o ar; o segundo, o firmamento, onde estavam suspensas as estrelas; esse firmamento era sólido e de gelo e sustinha as águas superiores que, no período do dilúvio, vazaram desse reservatório por portas, eclusas e cataratas.
     Acima desse firmamento ou dessas águas superiores estava o terceiro céu ou o empíreo, para onde são Paulo foi arrebatado. O firmamento era uma espécie de meia abóbada que envolvia a terra. O sol não fazia o giro de um globo que nem sequer conheciam. Chegando ao ocidente, voltava ao oriente por um caminho desconhecido; e, se não era mais visto, era, como o diz o barão de Foeneste, porque voltava de noite.
    Os hebreus haviam adotado esses devaneios dos outros povos. A maioria das nações, excetuando-se a escola dos caldeus, considerava o céu como um sólido; a terra, fixa e imóvel, era um terço abundante mais comprida de oriente a ocidente do que de norte a sul; disso provêm os termos longitude e latitude que adotamos. Por isso santo Agostinho trata a ideia de existência de antípodas como um absurdo e Lactâncio diz expressamente: "Haverá gente tão louca a ponto de acreditar que possa haver homens de cabeça para baixo? etc.
    São Crisóstomo exclama em sua 14ª. homilia: "Onde estão aqueles que pretendem que os céus sejam imóveis e que sua forma seja cicular?"
Lactâncio, no livro terceiro de suas Instituições, diz ainda:"Eu poderia demonstrar-lhes por meio de muitos argumentos que é impossível que o céu circunde a terra."
    O autor do Espetáculo da Natureza poderá dizer a quem quiser e quanto quiser que Lactâncio e são Crisóstomo eram grandes filósofos; o que se poderá responder é que eram grandes santos e que não é indispensável, para ser santo, ser um bom astrônomo. Deve-se acreditar que eles estão no céu, mas deve-se confessar que não se sabe precisamente em que ponto do céu.

                                                                         Voltaire - Dicionário Fillosófico

Língua, poder de vida e morte?

O irmão Daniel Ferreira da Silva, de Catalão-GO, tem me perguntado, há algum tempo, e com insistência: “Se não há poder em nossas palavras, como explicar o versículo que diz: ‘A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto’ (Pv 18.21)?” Como a resposta à sua pergunta deve interessar a outros irmãos que possuam a mesma dúvida, resolvi escrever este artigo.
Em primeiro lugar, é impressionante como alguns “mestres da fé” conseguem reduzir tudo o que está escrito na Palavra de Deus a alguns versículos isolados! (Não me refiro aqui ao irmão Daniel, mas aos que induzem o povo de Deus a adotar certos posicionamentos a respeito da Bíblia.) Quer dizer, então, com base no versículo acima, que até o ímpio, se utilizar bem a sua língua, terá a vida e a morte em seu poder?

Ora, a Bíblia é análoga. E isso significa que devemos levar em conta os seus contextos geral, imediato, remoto, referencial, histórico-cultural e literário. Já pensou se um único versículo tivesse autoridade em si mesmo? Todos os cristãos fiéis que partiram para a eternidade estariam condenados! Por quê? Porque é isso que está escrito em 1 Coríntios 15.18: “E também os que dormiram em Cristo estão perdidos”. Mas, graças a Deus, o contexto revela que os mortos em Cristo estariam perdidos se Cristo não tivesse ressuscitado (vv.17-19). Mas Ele ressuscitou (v.20)!

O mesmo ocorre com Provérbios 18.21. Quem lê o capítulo todo, com atenção, percebe que não há nada aí que dê aval à falaciosa Confissão Positiva. É claro que não devemos ser negativistas, queixosos crônicos, murmuradores, melancólicos. Embora isso não seja determinante para o fracasso total de alguém — pois Deus é misericordioso e pode nos ajudar, mesmo quando passamos por momentos de fraqueza espiritual (cf. 1 Rs 19.1-8) —, devemos bendizer ao Senhor em todas as circunstâncias, haja o que houver (1 Ts 5.18; Jó 1.20-22).

Por que a Confissão Positiva é uma falácia? Primeiro, porque o termo “confissão”, nas páginas sagradas, nunca é empregado com o sentido de pronunciar “palavras mágicas” com poder de vida e de morte. Antes, na maioria das vezes, está atrelado às palavras que expressam arrependimento e desejo de se afastar do pecado (Pv 28.13; 1 Jo 1.9); ao reconhecimento de que Jesus é o Senhor (Rm 10.9); e à pregação do evangelho (Mt 10.32).

Muitos cristãos estão convencidos mesmo de que há poder de vida e de morte em suas palavras. Por isso, é comum, em pretensas marchas para Jesus, ouvirmos bordões como: “Esta cidade é do Senhor Jesus”. Contudo, se não houver compromisso com o verdadeiro evangelho, tais “confissões positivas” em nada mudarão a situação atual do nosso país. Infelizmente, os mesmos triunfalistas que induzem o povo a “profetizar” vitória sobre a nação estão envolvidos com inúmeros pecados, como a idolátrica avareza (Ef 5.5; 2 Pe 2.3).

Ainda que, em certo sentido, as nações, o planeta Terra e todo o Universo sejam do Senhor Jesus (Sl 24.1; Hb 11.3), o mundo está precisando ouvir as boas novas de salvação (Mc 16.15; Mt 28.19), e não “palavras mágicas”. O Brasil precisa ser conquistado pelo evangelho, e não politicamente. O Reino de Cristo é espiritual (Jo 18.36; Rm 14.17). Precisamos orar pela nossa nação e pregar o verdadeiro evangelho. Deus pode mudar a situação de países e governos por intercessão e influência do seu povo, e não mediante “confissões positivas” (1 Tm 2.1-3; 2 Cr 7.14,15). Mas os adeptos da Confissão Positiva têm preferido “profetizar” que bares e casas de show serão fechados, teatros apresentarão peças evangélicas...

Se “confissões positivas” funcionassem mesmo, o mundo seria uma maravilha. Mas voltemos ao texto de Provérbios 18.21. Nos versículos anteriores vemos que o autor sagrado não estava se referindo ao suposto e determinante poder de vida ou morte das palavras humanas: “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos de um palácio. Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios se fartará” (Pv 18.19,20).

Outro texto usado pelos “mestres” da Confissão Positiva para corroborar a passagem em análise é Tiago 3.10. Podemos examiná-los conjuntamente porque ambos alertam quanto à maledicência, incentivando-nos a usar a língua para bendizer a Deus (Tg 3.1-9). Veja: “Com ela [língua] bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (v.9).

Como no movimento da Confissão Positiva tudo gira em torno do limitado e frágil ser que se gaba de muitas coisas — o homem —, este é convencido de que pode resolver tudo mediante as suas palavras. Ele não deve chorar nem sofrer, pois, se souber usar o poder de vida e de morte que tem em seu pensamento e em sua língua, poderá dominar todas as coisas e tornar-se um deus andando na terra! Basta “determinar”, e será abençoado ou abençoará pessoas, famílias, nações e até times de futebol!

Juntamente com os textos isolados de Tiago 3.10 e Provérbios 18.21, os “mestres da fé” citam: a visão do vale de ossos secos, em que Ezequiel profetizou, e os ossos reviveram (Ez 37.1-10); e também o fato de o profeta Elias ter “determinado” que não choveria durante três anos e seis meses (1 Rs 17.1). Quanto a Ezequiel, ele profetizou conforme se lhe deu ordem e disse: “Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR” — o poder para vivificar os ossos não estava em sua palavra, e sim na viva e eficaz Palavra do Senhor (Ez 37.4-7; Hb 4.12).

No caso do profeta Elias, de fato não choveu durante três anos e seis meses segundo a sua palavra. Entretanto ele, que “era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse” (Tg 5.17). Ou seja, ele só fez o que fez diante do rei Acabe porque Deus atendeu, de antemão, o seu pedido. Quem aprende com o Bom Pastor — e não com telemissionários, telebispos e tele-apóstolos — sabe que o crente fiel deve pedir, em vez de “determinar” (Mt 7.7,8; Jo 14.13,14).

Diante do exposto, não se deve tomar o texto de Provérbios 18.21 como uma verdade geral, aplicável para toda e qualquer circunstância. O autor falou do poder de vida e de morte da língua em relação a bendizer e maldizer o próximo. Essa passagem não abona a descabida e falaciosa Confissão Positiva, que leva o frágil ser humano a pensar que toda e qualquer palavra que sai de sua boca é uma profecia.

Amém

Autor: Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Poeta




Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão
pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre
numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios
de uma terra longínqua que nunca visitei.
Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala,
meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou
se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e
minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e
oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.
Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me
olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e
percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem.
Quando caminho nas ruas da cidade, os meninos me seguem
gritando: “Eis o cego, demos-lhe um cajado que o ajude.” Fujo deles.
Mas encontro outro grupo de moças que me seguram pelas abas da
roupa, dizendo: “É surdo como a pedra. Enchamos seus ouvidos com
canções de amor e desejo.” Deixo-as correndo. Depois, encontro um
grupo de homens que me cercam, dizendo: “É mudo como um túmulo,
vamos endireitar-lhe a língua.” Fujo deles com medo. E encontro um
grupo de anciãos que apontam para mim com dedos trêmulos, dizendo:
“É um louco que perdeu a razão ao freqüentar as fadas e os feiticeiros.”
Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente
sem encontrar minha terra natal, nem quem me conheça ou se lembre de
mim.
Acordo pela manhã, e acho-me prisioneiro num antro escuro,
freqüentado por cobras e insetos. Se sair à luz, a sombra de meu corpo
me segue, e as sombras de minha alma me precedem, levando-me
aonde não sei, oferecendo-me coisas de que não preciso, procurando
algo que não entendo. E quando chega a noite, volto para a casa e deitome
numa cama feita de plumas de avestruz e de espinhos dos campos.
Idéias estranhas atormentam minha mente, e inclinações
diversas, perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis. À meia-noite,
assaltam-me fantasmas de tempos idos. E almas de nações esquecidas
me fitam. Interrogo-as, recebendo por toda resposta um sorriso. Quando
procuro segura-las, fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.
Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro e não há no mundo quem conheça uma única
palavra do idioma de minha alma...
Caminho na selva inabitada e vejo os rios correrem e subirem do
fundo dos vales ao cume das montanhas. E vejo as árvores desnudas se
cobrirem de folhas num só minuto. Depois, suas ramas caem no chão e
se transformam em cobras pintalgadas.
E as aves do céu voam, pousam, cantam, gorgeiam e depois
param, abrem as asas e viram mulheres nuas, de cabelos soltos e
pescoços esticados. E olham para mim com paixão e sorriem com
sensualidade. E estendem suas mãos brancas e perfumadas. Mas, de
repente, estremecem e somem como nuvens, deixando o eco de risos
irônicos.
Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em versos, e
em versos o que a vida põe em prosa. Por isto, permanecerei um
estrangeiro até que a morte me rapte e me leve para minha pátria.
                                                                                                                    
   (Extraído de “Temporais” de Gibran Khalil)