quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Santo Anselmo e a existência de Deus


Um debate que  ocorre a séculos nos círculos acadêmicos, intelectuais, filosóficos é sobre a existência de Deus, não da maneira como hoje, no qual o ativismo ateu, quer, de toda forma e batendo o pé no chão, negar a existência de Deus e forçar-nos a aderí-los, mas, simplesmente, provar de maneira lógica, racional e por metodologias honestas e desapaixonadas para que o assunto “transcendente” não fique apenas no campo da especulação, mas, de provas cabais.
A análise do, assim conhecido, Santo Anselmo ganhou grande prestígio no tempo da escolástica com sua lógica sendo reconhecido até por ateus modernos (não reconhecido para se crer em Deus, mas , para explicar de maneira correta uma proposição), na minha opinião, foi isso que fez brilhar um pouco a imagem desse monge em vista a tantos nomes da teologia durante a história como  Irineu de Lyon, Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino etc.
Como cristão protestante, não habituo de usar o título “santo ou são”, mas pelo uso histórico em que se reconhece em todo lugar a pessoa de “Anselmo, o monge do século XI” preferi usar para melhor identificação.


1)               O Argumento. – A razão tem em si mesma a idéia de um ser maior do qual nenhum outro pode ser pensado (id quo maius cogitari non potest). Ora, se tal ser existisse só no pensamento, então não seria o máximo, porque nesse caso poderíamos pensar um maior, a saber, o que existisse não só no pensamento, mas também na realidade. Por onde, a idéia de um ser máximo exige uma existência não só lógica, mas também antológica.

2)          Crítica e contracrítica. – Já o monge Gaunilão tinha replicado: não é pelo fato de eu supor idealmente existentes as Ilhas Afortunadas, que elas existem. O mesmo dirá Kant mais tarde: a idéia de uma cousa não implica na sua existência. Mas isso já o sabia também Anselmo: Não é por um pintor conceber uma obra, que ela já existe, dizia ele, por isso, mantinha a sua prova da existência de Deus e respondia, no seu escrito contra Gaunilão, que exemplo das Ilhas Afortunadas não atinge a questão no seu âmago. Pois, a idéia de Deus é um caso único e incomparável, porque pensamos nele como um ser que necessariamente encerra e de toda a eternidade todas as perfeições, ao contrário de uma ilha, que é um ser limitado. E por aí se mostra o nervo da prova.

3)           Momento histórico-genérico da prova. – Está na expressão “ser que encerra em si todas as perfeições”. Não é outra essa idéia senão a ideia de Deus, de Boécio, a de Agostinho e a ideia platônica do bem em si.  Isso resulta ainda mais claro da sua outra obra, o Monologium, onde são desenvolvidas duas provas de Deus tipicamente platônicas: a dos graus de perfeição e da idéia do ser supremo. Anselmo tinha no pensamento a idéia que todo imperfeito supõe o perfeito, anterior, em toda a linha do ser, ao imperfeito. Ora, sendo o imperfeito uma realidade, com maioria de razão o perfeito, do qual o imperfeito não é senão a cópia.

4)        Conceito de verdade. – Se aprofundar melhor o conceito de verdade de Anselmo, então mais claro ficará a sua prova da existência de Deus. Verdade significa para Anselmo a “retidão” das essências, a qual consiste em se conformarem com o seu modelo existente na mente divina. Se a nossa mente descobre na idéia de Deus uma conexão, necessária entre essência e existência, então se nos revela por isso mesmo uma verdade primeira, pois poderemos descobrir na cópia à verdade, por existir a verdade-modelo. Por isso não se pode dizer com exatidão que Anselmo passa ilogicamente do mundo conceptual para o real. Para ele não há nenhum oposição entre o pensamento e o ser, como na filosofia moderna. Era ainda demasiado cedo para ser isso possível. Anselmo está todo penetrado do espírito agostiniano; ora, para este pensador platonizante, a autêntica realidade está na verdade e no bem primeiros, na imagem exemplar e na idéia; e disso vive todo ser  conhecer, de modo que podemos subir para Deus de vários lados.


                                 Ezequiel Domingues dos Santos


Um comentário:

  1. Parabéns pelo blog irmão. Que Deus continue te abençoando poderosamente para que possais pregar a palavra a todos que dela necessitam ouví-la e aprendê-la. Abraço, Thiago!

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