segunda-feira, 30 de abril de 2012

Missão x Omissão

"Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem. Este dia é dia de boas novas, e nos calamos. Se esperarmos até a luz da manhã, algum castigo nos sobrevirá." 2ª Reis 7:9
Um dos grandes erros que um homem pode cometer é saber que pode fazer o bem e não faz caracterizando num grande pecado que não é mais leve que os outros e é tão digno de maior punição, esse pecado é o da omissão.

Dos vários significados que tem essa palavra, o que mais deixa em vigor a sua essência é a "negligência"; nada pior do que o negligente, aquele que tem potencial, tem futuro, sabe e entende o que faz e que por medo, descuido, desleixo não faz nem o que lhe é mandado; sem deixar de notar a quem é assemelhado e de que lado faz parte,
"O negligente na sua obra é irmão do destruidor." Prov 18:9.


E quanto mais em se tratar de uma religião missionária transcultural como o cristianismo com a grande comissão dada por Jesus no seu "Ide", é de se entristecer que ao invés de dizermos "grande comissão" deveríamos às vezes dizer "grande omissão" pelas muitas vezes em que negamos o precioso nome de nosso Senhor no momento em que calamos em lugar de dizer com coragem o motivo de nossa esperança e a quem cremos, pois, para fazer uma negação não é preciso palavras, basta omiti-las.

Um bom retrato de omissão; ainda que houve um despertar em tempo, é o caso de quatro leprosos que tiveram a regalia de saquear despojos de um exército desbaratado por Deus.

Essa história se deu em aproximados 896 a.C. no reinado de Jorão, filho de Acabe e Jezabel em Israel, mais precisamente em Samaria; era uma época turbulenta e complicada, pois Israel havia se apostatado há muito tempo mesmo com os protestos de muitos profetas entre eles, Eliseu no que se refere a história mencionada.

Eliseu havia profetizado que Samaria seria cercado por Ben-Hadade rei da Síria, e que por esse cerco atrapalharia todo giro econômico de seu reino que haveria fome em demasia; e tal foi essa fome que as mulheres brigavam para dividir os filhos para comer (2ªRs 6:28, 29) até que, furioso, o rei ímpio decidi matar o profeta que ao chegar no local recebe uma nova profecia de que estaria para acabar tanto o cerco quanto a fome.

De fato se concluiu o predito, mas Israel tomado pelo medo e pela fome que já havia dizimado muitos não se deu conta que Deus já havia operado em favor deles, e justamente quem descobriu isso foram míseros mendigos leprosos isolados da sociedade.

Eles pensavam:
Se continuarmos aqui nas portas da cidade morreremos; se entrarmos na cidade onde as pessoas estão morrendo antes que nós até, de nada vai adiantar; mas se nos rendermos aos sírios e eles não quiserem nos ajudar e nos matar tão logo morreremos.


Com esse pensamento foram ao arraial dos siros e viram que todos tinham fugido, pois chegara terror da parte de Deus sobre esse exército que largaram mão de tudo para salvar suas vidas, e os despojos estavam agora na custódia desses leprosos bem aventurados.

Verdadeiramente foi uma vida de "marajá" que os leprosos estavam vivendo; comendo, bebendo e escondendo as mercadorias deixadas pelos soldados; esses ganhadores da loteria estavam extasiados por se verem livres da morte por escassez de comida e gozando da grande e divina Providência até que a consciência deles ficaram martelando em saber que, enquanto eles estão numa boa, sua nação está numa situação catastrófica e a beira de sumir do mapa tão somente por causa da fome.

Foi então que decidiram não levar em conta os ressentimentos passados por haverem sidos excluídos e marginalizados pela sociedade por causa da lepra, e quebraram a barreira das diferenças sociais e saíram da omissão para trazer as boas novas salvando o reino de Jorão da extrema fome que os assolavam.

Percebesse que esses leprosos podiam muito bem ficarem calados, pois outrora, foram expulsos de suas famílias a quem tanto amavam, sofreram injúrias por serem impuros e foram aos olhos de todo o povo, acometidos por toda sorte de maldições vindas de Deus, no entanto, mesmo assim houve temor e compreensão suficiente para da parte deles em querer compartilhar as graças que estavam vivendo no momento.

Esse é o exemplo que com plena certeza e convicção espiritual se encaixa para conosco no que diz respeito à propagação das boas novas do evangelho; todo cristão verdadeiro faz parte do "ide e pregai", e deve-se considerar culpado por havermos estar desfrutando das riquezas das graças e não levarmos essa notícia aos que estão famintos espiritualmente e arrebatar de tão grande morte eterna.

Assim como os leprosos, poderíamos ficar calados e guardar para nós o que encontramos; ou melhor, que fomos encontrados por Deus, já que fomos injuriados e excluídos de nossos círculos ao decidir por uma vida santa em conformidade com o evangelho; assim como os leprosos, estávamos excluídos no outro lado do muro dos nossos relacionamentos devido nosso modo de viver, até que encontramos as boas novas capaz de não salvar a nós mesmos, mas salvar os do outro lado do muro da fome da e miséria espiritual.

Note-se que também esses leprosos eram conhecedores da justiça divina, o que demonstraram muito temor ao dizerem
"Se esperarmos até a luz da manhã, algum castigo nos sobrevirá." (vs 9b), como eles, devemos ter zelo ao falar sério das coisas de Deus, entender que assim como o Senhor se compadeceu nós, pode também estender essa compaixão a muitas outras pessoas, inclusive nossos maiores opositores.


Também como eles devemos ter pressa! "Se esperarmos até a luz da manhã..." quem sabe o que deve fazer, quem sabe e entende para onde vai, quem conhece as verdades eternas a respeito do grande dia do juízo e quem sabe da grande iniqüidade que é a omissão tem pressa de cumprir o seu chamado, assim como é difícil o raio cair duas vezes no mesmo lugar, é difícil a morte chegar com ímpeto e dar a segunda chance, por isso, é necessário pressa ao falar sem rodeios dos dois caminhos que estão diante de todos nós, todos os dias; só não terá pressa aquele que não entendeu que quem é servo não deve ficar no trono do seu "eu" e lançar a mão no arado!

"Assim, vieram e bradaram..." (vs10) bradar, bradar e bradar! Milhões estão descendo à chamas do Hades sem chance de voltar para se arrependerem, muitos nesse momento estão clamando misericórdia sem mais poderem ser ouvidos; nunca é motivo de orgulho conhecer a salvação de Cristo Jesus, aliás, muito pelo contrário, é motivo de reconhecer as misérias em que nos encontrávamos e em que muitos atualmente se encontram pensando que são felizes, mas estão a ponto de serem peneirados como trigo nas mãos do inimigo de nossas almas!

Por isso, como não somos chamados para impor nossa mensagem, mas, expor faça o que esses leprosos samaritanos fizeram de mais importante para salvar milhares de vidas sem ligar para o seu estado; saíamos da grande omissão para a grande comissão e antes que chegue a luz da manhã nesse fim dos dias... bradamos!

                                                                       Ezequiel Domingues dos Santos

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