quinta-feira, 22 de março de 2012

Kony 2012


Joseph Kony é líder da LRA- Lord´s Resistance Army (Exército de resistência do Senhor), um grupo guerrilheiro de caráter religioso que se originou no Norte de Uganda.

Para o crescimento de seu exército, ele sequestra crianças que obrigam a matar seus próprios pais e usam as meninas como escravas sexuais; estima-se que Kony já sequestrou mais de 70 mil crianças e está sendo procurado desde 2005 com 33 acusações segundo o Tribunal Penal de Haia por crimes contra a humanidade, infanticídio, pedofilia, torturas e tudo o quanto tem se relacionado a seus atos nos últimos 20 anos.

O conhecimento dessa causa se deve a uma grande mobilização, mostrando a força e o impacto que a internet tem sobre milhares de pessoas ao redor do mundo em relação à comunicação, a troca de ideias e também quanto a levantamento de campanhas e ativismo como é o caso demonstrado acima.

Essa campanha se iniciou com uma ONG Norte Americana chamada Invisible Children (Crianças Invisíveis) liderado por Jason Russel, que usa a história de um ex menino-soldado chamado Jacob segundo a ONG que tinha sido sequestrado e que perdeu seu irmão pelas mãos de Kony mostrado num vídeo de 30 minutos e resumida história de todo esse alvoroço.

Esse vídeo foi mostrado aos Ugandeses que não gostaram do vídeo e manifestaram vaias e descontentamento devido ao caráter “pop-star e celebridade” que estão dando a um maléfico que merece ser punido, e que apesar de não ser a intenção do vídeo passa uma sensação de exaltação com seu nome em cartazes, fotos e até braceletes com o nome (Kony 2012).

Apesar de a intenção que pode passar no vídeo são as melhores, tem gerado polêmicas ela maneira e para quem é dirigido esse protesto (ao governo dos EUA) como se fosse o soberano mundial com autoridade para entrar em qualquer país para tirar as mazelas e punir criminosos internacionais e trazer paz ao mundo; coisa que não conseguiram demonstrar e nem provar com a histórica de invasões no Iraque e Afeganistão sob a alegação de que estariam sendo fabricadas armas nucleares nesses lugares e também sob pretexto de capturar Osama Bin Laden, o qual também deixou as nebulosas a sua “morte” e seu corpo.

Outro fato que me deixa intrigado é força da influência de redes sociais, o que mostra no vídeo com a totalidade jovem que são a faixa etária que mais acessam e passam a vida conectada nessa forma “social” de se viver; até aí vai bem como bom canal de comunicação; mas o problema que vejo é o nível de receptibilidade das massas por pessoas influentes na sociedade. A coisa tem tomado forma pelo apoio de celebridades como atores famosos e cantores pops da atualidade, e isso reflete em quem repousa a segurança da opinião da maioria como se pelo fato dos artistas se manifestarem contra isso seja a prova de que a coisa é digna de toda aceitação e cabível para uma reação; infelizmente é na imagem destes que muitos se refletem mesmo com tanto maus exemplos que os hollywoodianos mostram.

Também não se pode deixar de citar a participação política neste negócio com a simpatia de democratas e republicanos, que depois de tanta luta por parte da ONG, entraram num acordo com o Presidente Obama até que enviaram tropas para Uganda para reprimir a ações de rebeldes e tentar parar o homem mais procurado de todo o Continente Africano. Essa atitude é vista com não bons olhos por causa de contestações a respeito de invadir a soberanias de outros países dando a margem a um “neoimperialismo”, sem contar as muitas discordâncias do paradeiro de Kony que provavelmente não se encontra mais em Uganda; aí fica a pergunta, o que os soldados norte americanos estão fazendo em Uganda visto que Kony e suas milícias tem se alastrado por países vizinhos? Muitos pensam no fator político de Obama em querer mostrar ação como na morte de Bin Laden e muitas outras possíveis estratégias de marketing pela proximidade das eleições que acontecerão nos EUA.

Por fim, é impressionante nessa pós-modernidade, a força da globalização por meio da internet com pessoas de diversas partes do mundo se unindo por uma ou várias causas trazendo aos poucos a força da, aos poucos falada, “comunidade global” sustentada e fortalecida gradativamente pela fácil acesso as redes sociais; mas, ao caso Kony 2012 poucos se perguntam, quando pegar o indivíduo, o que farão depois? O que farão com as crianças e adolescentes já raptados? O que acontecerá no “Pós- Kony”?, Por que esse viral com mais de 60 milhões de acessos mostra mais a imagem do filho do autor e da história linda das pessoas se mobilizando do que do povo ugandês, das crianças e seus sofrimentos?. A pergunta fica, mas o tempo mostrará a resposta.



                                                 Ezequiel Domingues dos Santos


Nenhum comentário:

Postar um comentário